Primeira metade do século 20, Martin Buber, judeu austríaco, filósofo, diz:
Frequentemente, julgamos tanto as pessoas quanto os objetos por sua função. Isto pode ser útil: para um médico, ao examinar um paciente a procura de doenças específicas, é melhor que ele veja o paciente como um organismo e não como indivíduo; cientistas podem aprender muito sobre nosso mundo observando-o, medindo-o, examinando-o, testando-o.
Infelizmente, vemos as pessoas do mesmo modo na maioria das vezes. Ao invés de nos tornarmos completamente acessíveis, compartilhando totalmente, realmente conversando, compreendendo o outro, nós os observamos ou mantemos parte de nós mesmos fora do momento da relação. Nós fazemos isto para proteger nossas vulnerabilidades ou para fazer com que eles respondam de alguma maneira pré-concebida, para conseguir alguma coisa.
Para Buber, a relação ideal, que chama de Eu-Tu acontece quando se está completamente imerso na relação, realmente entendendo e “estando lá” com outra pessoa, sem máscaras, pretensões, falsidades, até mesmo sem palavras. Na dimensão da alteridade é que o filósofo vê o espaço entre o “eu” e o “outro”, o autêntico terceiro,que chama de relação inter-humana, diferente de relações sociais.
Assim, perceber o outro é tomar dele um conhecimento íntimo, diferente da observação analítica que reduz e transforma o outro em simples objeto. É "tornar o outro presente", pelo diálogo, pela palavra, sem que haja supremacia de um sobre o outro.