Ao longo do século 20, a linguagem tomou lugar central na filosofia, seja a filosofia continental, seja a analítica. A repercussão disso nos estudos de Humanidades foi marcante. Essa virada lingüística caminhou nas ultimas décadas para outro ponto, que é a idéia de contextualização. Linguagem vista como determinante na construção da realidade, construção antes em nível social, que é decisivo para as construções pessoais subjetivas, e que fica atrelada às condições em que é utilizada para que se compreenda significados, para que haja sentido.
A Ética, pelo prisma da contextualização, é vista como algo que deve ser construído nas diversas situações, e não como um princípio construído a priori, que não leve em consideração valores e características de determinado contexto.
Essa idéia é, muitas vezes de modo bastante simplificado, entendida como um “vale tudo”, como um radical e perigoso relativismo. Mas não é isso que a contextualização implica em relação à ética. A meu ver, é um exercício permanente de seguir de olhos e ouvidos abertos para os outros, sendo solidário com quem é diferente, estranho, não familiar, estando fisicamente próximo ou não.